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Tecnológicas pedem ação urgente da UE para proteger crianças contra abusos sexuais online

Tecnológicas pedem ação urgente da UE para proteger crianças contra abusos sexuais online

Várias empresas tecnológicas defenderam hoje que os legisladores europeus devem agir com urgência para evitar a perda de proteção das crianças contra abuso sexual online, defendendo que se mantenha o mecanismo atual, que expira em 3 de abril.

Lusa /
Nuno Patrício - RTP

Num comunicado conjunto, a Google, Linkdin, Snapchat, Microsoft e TikTok manifestam "profunda preocupação" com o impasse nas negociações na União Europeia, advertindo que o fim da base legal atualmente em vigor poderá comprometer a deteção e denúncia de conteúdos de abuso sexual de menores.

Em causa está a derrogação à diretiva de privacidade eletrónica, em vigor desde 2021, que permite às plataformas digitais detetar voluntariamente material de abuso sexual de crianças (CSAM) em serviços de comunicação interpessoal.

Segundo as empresas, a não renovação desta exceção criará incerteza jurídica e reduzirá os mecanismos disponíveis para identificar estes crimes.

As tecnológicas sublinham que, há quase duas décadas, têm vindo a utilizar ferramentas de deteção voluntária que são consideradas essenciais para as investigações das autoridades, permitindo identificar situações de abuso em curso e travar a disseminação de conteúdos ilegais.

Entre essas ferramentas destaca-se o sistema de "hash matching", um método baseado em impressões digitais irreversíveis que permite comparar conteúdos com bases de dados seguras de material previamente identificado como abusivo.

De acordo com o comunicado, este sistema assegura elevados níveis de precisão na deteção, ao mesmo tempo que respeita princípios de privacidade.

As empresas alertam para a significativa redução da capacidade de resposta à criminalidade sexual contra menores como consequência da interrupção destes mecanismos, deixando crianças na Europa e noutras regiões com menos proteção do que anteriormente.

"Interromper a deteção deste tipo de conteúdos reduz as ferramentas disponíveis para proteger crianças e pode significar falhar com as vítimas deste crime", referem.

Perante este cenário, apelam aos decisores políticos europeus para que alcancem rapidamente um acordo que permita a continuidade da deteção voluntária de conteúdos de abuso sexual de menores nos serviços digitais.

As tecnológicas consideram que a ausência de uma solução até ao prazo de 3 de abril representaria uma decisão "irresponsável", com consequências diretas na proteção de crianças em ambientes digitais.

O comunicado surge depois de o Conselho da UE e o Parlamento Europeu não terem chegado a acordo sobre o mecanismo legal da União Europeia que autorizava os prestadores de serviços online a identificar e reportar material de abuso sexual infantil, no âmbito de um regime temporário enquanto não é aprovado um quadro legislativo permanente.

Estas regras provisórias, em vigor desde 2021 e que expiram em 03 de abril, permitiam que, em casos específicos de deteção de conteúdos com abusos sexuais sobre crianças, não se aplicasse temporariamente a chamada diretiva `ePrivacy`, que regula a privacidade nas comunicações eletrónicas.

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